Era uma vez O Lobo Leitor

O Lobo Leitor nasceu há alguns anos noutro lugar. Foi e ainda é um projecto muito acarinhado que coincidiu com a minha reincidência na aventura da maternidade. De certo modo, foram os meus filhos que me aproximaram do prazer que a Literatura e a Ilustração para os Leitores mais Jovens me proporciona.

Na anterior morada, havia problemas de ordem técnica que tornavam moroso o processo de publicação. Optei por mudar de casa. Mas estou lenta nas mudanças. Daí ainda nem todos os conteúdos do Lobo Leitor estarem aqui. Mas podem aceder a eles
ALI.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Os contos de fadas da nossa infância


Ray Caesar


"Fairy tales were not my escape from reality as a child; rather, they were my reality."

Terri Windling

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

As princesas dos nossos dias

s.id.



"Hoje os contos de fadas mudaram, as princesas mudaram de atitudes.

Espantem-se só, hoje em dia já não existe uma Cinderela em casa, a lavar e a esfregar o chão à espera que o príncipe encantado a venha salvar de um trágico destino.

Já não existe a Rapunzel presa numa torre, deixando o seu cabelo crescer até mais não para servir de corda para o seu príncipe a salvar de uma vida de prisioneira.

Já não existe a Branca de Neve, que limpa a casa aos sete anões, lava, cozinha, passa a ferro enquanto foge da malvada madrasta, esperando o beijo do príncipe encantado.

Todos os contos que representavam o fantástico, a magia, o “ser feliz para sempre”, a salvação da princesa (mulher) pelo príncipe encantado, mudaram. Tal como mudou a importância dada à beleza feminina e o grande final: o casamento “e viveram felizes para sempre”.

Deixaram de ser frágeis, submissas, encantadoras, assertivas, ingénuas, doces e conformadas com o destino, acalentando a esperança de serem salvas, libertadas, por um príncipe.

Hoje os contos de fadas são mais reais, colocando a princesa como salvadora de si mesma. Como lutadora. Corajosa. A que sai do castelo sozinha para se salvar. A que bate o pé para falar, mostrando ter opinião própria.

Hoje temos a princesa Mérida de cabelos ruivos que mostra que a mulher pode ser o que ela quiser, protagonista dos seus sonhos.

A Fiona, que é dona do seu próprio destino, da sua vontade, forte e independente. Que come o que lhe apetece, que até dá uns arrotos e se ri de si mesma. Que não tem medo de um sapo!

As princesas Elsa e Anna do filme Frozen, independentes e alegres, que não precisaram de encontrar o príncipe encantado para serem felizes.

A princesa Mulan, que se descolou de todos os estereótipos criados para as princesas, cortando o seu cabelo para ir para a guerra, fingindo ser homem, não esperando que alguém a salve, lutando por aquilo que quer.

Hoje em dia, sim aos contos de fadas, que estão a mudar. Que são mais reais.

A representação, o imaginário, o faz de conta, o “era uma vez” é tão importante na vida de uma criança. Elas precisam de exemplos com os quais se possam identificar e inspirar. O que queremos ouvir de uma menina quando perguntamos “o que queres ser quando fores grande?” Uma princesa? Sim. Que seja! Que vista os vestidos cor-de-rosa e que tenha também a “espada na mão” para ir à luta.

Assistimos então ao desenvolvimento do termo princesa e a adequação à realidade dos nossos dias quando a princesa não espera sentada que o seu príncipe a salve, porque ela hoje salva-se a si própria".



Por Sofia Almeida, Meu Doce Limão
para Up To Kids®, em 7 de Novembro de 2016

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

" Histórias infantis sem merdas"


As histórias infantis com que crescemos são machistas, paternalistas e, francamente, desagradáveis. As protagonistas são miúdas fraquinhas, totós e que passam a vida à espera de serem salvas. E se déssemos finais diferentes às histórias de encantar?
Texto: DianaIlustração: Rita
Branca de Neve e os Sete Anões:
Depois de ter dado um pontapés nos tomates do caçador, Branca de Neve foge pela floresta e dá de caras com uma pequena casinha. Ao entrar repara na enorme confusão: camas por fazer, loiça amontoada, lixo no chão. Abre espaço por entre o caos e dá de caras com uma estante cheia de livros. Escolhe um e vai sentar-se ao sol, à porta da casa, a ler, mas acaba por adormecer. Ao voltarem a casa, os sete anões ficam muito entusiasmados por terem uma visita. Mas de repente lembram-se no estado de desarrumação em que  casa se encontrava e sentiram muita vergonha. Foi então que o anão mais velho, líder do grupo, sugeriu que limpassem e arrumassem a casa antes que a Branca de Neve acordasse.
Quando a rapariga acordou, estava tudo limpo e o jantar estava ao lume. Comeram e beberam até tarde e a Branca de Neve teve uma ideia: construir várias casinhas iguais àquela e montar um negócio de turismo rural. E viveram felizes para sempre. Branca de Neve enriqueceu e viajou pelo mundo até se fartar.
Capuchinho Vermelho:
Antes de sair de casa Capuchinho pegou no cesto com bolos para a avó e no arco e flechas que o pai lhe tinha oferecido. Vestiu a capa vermelha comprada nos saldos, despediu-se da mãe, e lá foi pela floresta, feliz e contente. Capuchinho adorava as flores, as borboletas e ouvir o barulho do vento na copa das árvores. Era capaz de passar um dia inteiro deitada na erva fresca a ouvir os sons da natureza. Mas naquele dia não havia tempo para contemplações. a avó estava engripada e precisava de um bom lanche para se animar. Capuchinho era a rapariga certa para isso, com o seu cestinho cheio de bolas de Berlim sem creme, e croissants de chocolate. Saído de uma moita, num salto assustador, surgiu o Lobo. Mas Capuchinho, que de burra não tinha nada, já estava à espera dele e das suas falinhas mansas. O Lobo era muito sedutor e tinha a mania de atacar miúdas indefesas. Capuchinho parou e sorriu para o Lobo. Rápida como uma bala, pegou no arco e numa das flechas e… zás! Sacou um olho ao animal. Deixou-o no chão a sangrar (depois de lhe ter dado dois ou três pontapés) e seguiu alegremente para casa da avó onde comeram o melhor lanche de sempre.
Cinderela:
Quando o pai de Cinderela morreu, ela viu-se sozinha no mundo, entregue a uma madrasta cruel e às suas duas filhas horrorosas. A madrasta tinha um plano: apoderar-se da casa e transformar Cinderela numa empregada doméstica. Ela dormiria no sótão e passaria os dias a limpar e a aceder a todos os caprichos delas. Mas não contou com uma coisa: Cinderela era uma miúda esperta e profissional de artes marciais. À primeira tentativa de subjugação, a jovem menina impôs-se e recusou ir buscar um copo de água. “Não tens pernas?”, perguntou ela. A madrasta levantou a mão e tentou esbofetear Cinderela que imediatamente aplicou um golpe de Jiu-jitsu. As filhas, em defesa da mãe, tentaram atacar Cinderela, mas foram rapidamente vencidas. No dia seguinte, Cinderela contactou o advogado de família e conseguiu expulsar as interesseiras da casa que lhe pertencia  por direito. É que o pai tinha feito um testamento em que lhe deixava tudo: a casa, os terrenos e a fortuna. Fez uma horta biológica e tornou-se a maior fornecedora de vegetais e frutas do reino.
Bela Adormecida:
Mas andamos a brincar às estúpidas, ou quê? Aurora, nome verdadeiro desta princesa, nunca se picaria numa roca de fiar, porque não teria qualquer interesse nesse tipo de coisas. Aurora era uma princesa intelectual, que passava muito tempo na biblioteca do palácio, a ler. Contrariamente ao resto da realeza, a princesa decidiu estudar. Na faculdade conheceu o Príncipe, que a pediu em casamento, mas Aurora recusou — tinha todo um mundo para salvar. Mas prometeu manter contacto.
Formada em medicina, Aurora dedicou os seus dias a curar os mais desfavorecidos, que lhe pagavam em chouriças, couves e pão acabado de fazer. Afinal, Aurora era uma princesa e dinheiro não lhe faltava. Um dia, o Príncipe contactou-a e convidou-a para um café. Daí a uns meses casaram e juntos montaram um consultório médico que estava sempre cheio. E viveram felizes para sempre.
Fonte: amaezonia.com

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Mães são as maiores influenciadoras da leitura na infância, indica pesquisa brasileira


Ilustração vintage de 1920's



"A quarta Edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pelo Instituto Pró-Livro ao Ibope Inteligência, investigou o comportamento dos leitores brasileiros e os maiores influenciadores dos hábitos de leitura do brasileiro.

Os resultados indicam que o hábito de leitura dos pais têm forte influência na construção do hábito de leitura dos filhos, e que a figura da mãe é bastante importante no estímulo ao prazer da leitura, somada à figura do pai ou de um outro parente pode-se perceber a influência da família na formação de leitores.

De acordo com a pesquisa, 33% dos respondentes sofreu a influência de alguém para começar a gostar de ler. Destes 33%, 11% afirmam que a mãe ou um responsável do sexo feminino influenciou o gosto pela leitura; 7% dizem terem sido influenciados por um professor ou uma professora; e 4% dos entrevistados alegaram ainda que o pai ou o responsável do sexo masculino foi o influenciador.

A pesquisa aponta ainda que, em relação ao hábito de leitura dos pais, 17% dos entrevistados lêem com frequência, 24% lêem às vezes e 53% nunca lêem".